sábado, 03 de outubro de 2026
10/11/2025

Juros em 15% travam setores estratégicos do país e freiam investimentos no Brasil


A taxa Selic mantida em níveis elevados — chegando a 15%, o maior patamar em duas décadas — está afetando diretamente áreas essenciais da economia brasileira, especialmente construção civil, comércio e indústria. Com crédito mais caro, o consumo desacelera, empresas freiam investimentos e o peso financeiro das dívidas se torna ainda maior.

Quando o custo do dinheiro sobe, bancos passam a liberar crédito com mais cautela, dificultando o acesso ao financiamento — principalmente para negócios com alta alavancagem e compromissos financeiros de curto prazo. O efeito em cascata se espalha para o consumo, a produção e a geração de empregos.

Impacto direto no sonho da casa própria

Dados da Abrainc mostram que, nos últimos cinco anos, o avanço das taxas de juros tirou aproximadamente 800 mil famílias do mercado imobiliário, reduzindo pela metade o público que consegue financiar imóveis de até R$ 500 mil. Cada ponto percentual nas taxas elimina, em média, 160 mil famílias do acesso ao financiamento habitacional.

A CBIC também alerta que a alta dos juros derrubou a captação de poupança — principal fonte para crédito imobiliário — e isso contribuiu para a retração de financiamentos. Até setembro deste ano, o volume de imóveis financiados pelo SBPE caiu mais de 20% frente ao período anterior.

Indústria travada

Na indústria, o cenário não é diferente. Empresas estão encontrando mais barreiras para financiar capital de giro e apostar em expansão. Um levantamento da CNI mostra que 80% das indústrias apontam os juros como principal obstáculo para crédito de curto prazo.

Segundo economistas do setor, isso atinge especialmente segmentos que dependem do consumo direto das famílias, como automotivo, eletroeletrônicos e construção.



Editora Bittencourt